sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O ENCANTADOR DE ESTRELAS

Hoje trago essa mensagem para o seu coração, amigo leitor!

O menino saiu do quarto correndo e parou diante da porta da frente da casa, adormecida no sopé da colina, a poucos metros da curva do rio. Não corria de medo de alguém, mas para ver o sorriso alegre das estrelas através da janela imaginária de sua alma. Sentado no banquinho do terreiro, ante a imensidão do Universo, olhava para o Céu com encantado de admiração.
O deslumbrante cenário noturno fazia os campos brilharem de luz, como se tivessem sido semeados com sementes de prata, na estação anterior. O menino ficava sentado no banquinho, no canto do terreiro, maravilhado com a beleza da noite e o piscar intermitente das estrelas. Era como se elas quisessem vê-lo também, acariciar seus cabelos, e seu rosto, todo enfeitado de sonhos.
A luz e o brilho que emitiam eram como lágrimas que choravam por ele, na ânsia de vê-lo e abraçá-lo. Mas, nunca chegavam até ele. Elas se perdiam e morriam no labirinto dos caminhos do Céu, riscando a atmosfera de dor. Caíam e morriam em algum lugar solitário do Céu, antes mesmo de chegar à Terra. Apenas uma vez, ele soube que uma estrela caiu ao lado de uma porteira velha, que ainda existe perto da Estrada Real, longe de sua casa.
Todas as noites ele ia para o terreiro para ver miríades e miríades de estrelas e contá-las na imaginação. Às vezes achava que, mudando de lugar no terreiro, mas as estrelas estavam sempre no mesmo lugar, olhando para ele todas as noites, fechando os olhos somente diante das nuvens e da chuva, quando caía no terreiro de sua casa.
As estrelas o amavam e ele amava as estrelas; elas, no mesmo lugar, no Céu; ele, mudando de lugar, no terreiro. E, sem querer, encantava, com seu olhar de admiração de menino, miríades de estrelas. E Deus sorria de sua afeição por elas.
Um dia ele foi morar na cidade e não pôde mais ver estrelas, como na quietude plácida do Céu da vida rural, devido o clarão iluminado das ruas. Mas, quando as luzes da cidade apagavam, antes da meia noite, ele podia vê-las em todo seu esplendor de beleza e encanto, principalmente, quando a Lua fazia companhia às estrelas e o Céu se enchia mais ainda de luz, transformando-se em um tapete de estrelas, para seu êxtase ensangüentado de alegria.
Então, um dia, sonhando estar no terreiro da casa antiga da roça e sentado no mesmo banquinho e olhando para as mesmas estrelas - elas no mesmo lugar, sobressaltou-se, com a voz de sua mãe, chamando-o para dormir.
Foi assim que ele acordou do transe de encantar estrelas, de olhar para elas com admiração, como um encantador obstinado que nunca se esquece da vigília da noite, para vê-las iluminar. E quando passou diante de sua mãe, postada na porta de entrada da casa, ouviu-a dizer, entre gratificada e feliz, estas palavras de admiração, que revelavam todo o encanto de seu segredo infantil:
- Vai dormir meu querido ENCANTADOR DE ESTRELAS!


COLUNISTA FERNANDO ALMEIDA

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